22.6.14

Até já!




A temporada acabou e, ao contrário dos anos anteriores, o SeteVinteCinco também vai fazer uma pausa. Nas offseasons anteriores continuei por aqui, a cobrir o draft, a free agency, Jogos Olímpicos, Europeus, a fazer artigos sobre a história da NBA e tudo o mais que me lembrava ou apetecia. Mas este ano vou tirar umas férias na offseason. 

Porquê, perguntam vocês? Muito simplesmente, porque estou a precisar dessas férias. Porque há (quase) 4 anos que, salvo uma ou duas semanas de férias aqui e ali, faço o SeteVinteCinco ininterruptamente. E, ao contrário do que alguns de vocês pensam, o SeteVinteCinco é obra de uma pessoa só. Não é uma equipa, sou apenas eu que escrevo todos os artigos aqui no blogue e faço todos os posts na página de facebook. 

Por isso, há (quase) 4 anos que, na prática, tenho dois empregos (um que me paga as contas e este, por muito amor a este jogo). Criar e escrever anúncios e campanhas publicitárias durante o dia e depois escrever e fazer o SeteVinteCinco à noite (e, tantas vezes, durante as horas de almoço). Para além das noitadas a ver jogos, claro! Por isso, acho que compreenderão que preciso de descansar (e pôr muito sono em dia).

Não se preocupem porque não é um adeus e não tenho qualquer intenção de deixar de fazer o SeteVinteCinco. É apenas um até já. Vou só recarregar baterias para voltar com mais força na próxima temporada.  

No dia 26 de Setembro (dia do 4º aniversário do SeteVinteCinco) estarei de volta para mais uma temporada. Durante esse mês até ao início da temporada regular, irei fazer, como habitualmente, os Boletins de Avaliação e o balanço da offseason das 30 equipas (uma offseason que promete ser muito animada, por isso vou ter muito para escrever e analisar!).

Por isso, até lá! Até já, pessoal!

MM


(falta apenas anunciar o vencedor do Passatempo dos Playoffs. Farei isso nos próximos dias e depois entramos de férias)

18.6.14

Triplo Duplo - 3º Especial Finais


Fechamos as contas da série final com o último Triplo Duplo - Especial Finais. Análise do jogo 5, balanço destas Finais memoráveis e ainda uns bitaites sobre o futuro de Spurs e Heat:


16.6.14

Teremos sempre estes Spurs



Antes de irmos aos adjectivos, alguns factos daquilo que acabámos de testemunhar:

- Nunca nenhuma equipa tinha ganho os 4 jogos das Finais por 15 ou mais pontos (os Spurs ganharam por 15, 19, 21 e 17)

- Foi a maior diferença de pontos de sempre numas Finais (+70, no total dos cinco jogos; Spurs ganharam os jogos 1, 3, 4 e 5 por uma média de 18 pts e perderam o jogo 2 por apenas 2)


- Os Spurs tiveram a melhor percentagem de lançamento de sempre em Finais (54.8%)

- 66% dos seus lançamentos de campo foram assistidos e todos os jogadores marcaram pontos na série

- Tim Duncan é o 1º jogador na história a conquistar o título em três décadas diferentes (1999, 2003, 2005, 2007 e 2014)

- Kawhi Leonard teve três jogos seguidos com 20 ou mais pontos pela primeira vez na sua carreira (isto é que foi guardar o melhor para o fim e estar à altura da ocasião!)

- É o terceiro MVP mais jovem de sempre (a seguir a Magic Johnson e Tim Duncan) e o quinto jogador na história que é MVP das Finais sem ter sido All Star nesse ano (o primeiro desde Chauncey Billups, em 2004)


Depois destes factos, que adjectivos podemos usar para descrever estes Spurs e o que eles fizeram nestas Finais? Espantoso, único, incrível, extraordinário, inacreditável, inaudito, irrepetível?
Podíamos continuar e enumerar mais uma dezena deles e, mesmo assim, a descrição ficaria sempre aquém daquilo que tivemos o privilégio de assistir. Vamos deixar Gregg Popovich tentar:

("Kawhi thinks he did it all by himself, but...", Pop vai ser sempre o maior!)


Pensem nisto: Pop, mais de duas décadas como treinador, 18 anos ao comando desta equipa, 17 temporadas seguidas a ir aos playoffs, seis Finais e cinco títulos, diz: "nunca estive mais orgulhoso de uma equipa e nunca tive tanta satisfação com uma temporada em todos os anos que sou treinador. Ver a força de espírito que vocês demonstraram depois daquela horrível derrota do ano passado e voltarem a colocar-se em posição de ganhar e fazerem o que fizeram nestas Finais. Devem ser homenageados por isso. Não vos consigo dizer o quanto isso significa. Muito obrigado por tudo."

"Ah, mas isso é ele a falar no calor do momento, se calhar também disse isso em 2005 ou 2007". Não, esta equipa e este desempenho nas Finais são daqueles que serão falados daqui a 10, 20, 30 anos. 

Porque não foi só o que fizeram, mas como o fizeram. Com o jogo mais altruísta e a melhor movimentação de bola que nos lembramos de ver alguma equipa executar. Com um dos MVPs mais improváveis e imprevisíveis de sempre. Com um esforço verdadeiramente colectivo, com contribuições de todos os jogadores e com um ideal de Equipa como nunca vimos na NBA (os Pistons de 2004 são o mais próximo desse ideal que nos lembramos, mas sem um ataque tão bom e sem contribuições de tanta gente). Sem egos, sem nenhum indivíduo acima do colectivo, todos ao serviço de um objetivo comum e todos a fazerem o que fosse preciso para atingir esse objectivo.

Esta é daquelas equipas e daqueles desempenhos que, em 2044, vão dizer aos vossos netos "Devias ter visto os Spurs de 2014! Aquilo era uma equipa! Aquilo era jogar basquetebol como ele deve ser jogado!" E, quando o fizerem, não se preocupem porque não vão ser velhos a dizer que no meu tempo é que era. Não, vão estar apenas a dizer a verdade. Usem os adjectivos que quiserem, mas vão dizer um facto.

Esta equipa, a equipa campeã mais internacional de sempre (com oito jogadores - nove, se contarmos com Duncan - nascidos fora dos Estados Unidos), nunca vai ser esquecida. Não pode ser esquecida.

Habemus Campeão!




14.6.14

Triplo Duplo - 2º Especial Finais


No segundo TRIPLO DUPLO - Especial Finais, falamos das duas vitórias esmagadoras de San Antonio em Miami (que os deixaram a uma vitória do título) e deixamos ainda as nossas previsões para o(s) próximo(s) jogo(s):


13.6.14

Heat x Spurs - jogo 4 - Noite de San(to) Antonio



UAU! Falávamos no último episódio do Triplo Duplo, nas previsões para os dois jogos em Miami, que todos os cenários eram possíveis para esse par de encontros. Tanto era possível que dividissem as vitórias e a série ficasse empatada a 2, como era possível que os Heat ganharem os dois e ficasse 3-1 para o seu lado, como também era possível que os Spurs ganhassem os dois e ficasse 3-1 para eles. Esperávamos equilíbrio e dois jogos que podiam cair para qualquer um dos lados.

Mas não imaginávamos (nem os fãs mais ferrenhos dos Spurs imaginariam), antes do jogo 3, que os Spurs saíssem da American Airlines Arena com duas demolições dos Heat e duas vitórias tão esmagadoras. Foi a primeira vez nos últimos 49 jogos (desde 2012) que os Heat perderam dois jogos consecutivos nos playoffs. E foi a primeira vez na história das Finais que uma equipa ganhou dois jogos seguidos fora de casa por mais de 15 pontos. Os Spurs são ainda a segunda equipa na história (depois dos Celtics em 1960) com três vitórias nas Finais por 15 ou mais pontos.

É quão históricos foram estes dois jogos dos Spurs (e quão histórica está a ser esta série para eles). Depois do recital ofensivo do jogo 3, ontem, enquanto em Lisboa se celebrava a noite de Santo António, na Florida a noite foi toda dos San Antonio:


No ataque, continuaram uma máquina oleada e precisa, a atacar o cesto, a circular a bola de forma exemplar, sempre à procura do passe extra e da melhor situação de lançamento possível. "From good to great" é o lema da equipa no ataque e ontem, mais uma vez, executaram-no na perfeição.

Mas ontem, ao bom ataque juntaram também o seu melhor jogo defensivo da série. Desse lado do campo foram também uma máquina precisa e oleada: rotações defensivas exemplares, ajudas sempre bem posicionadas, rápidos e coordenados a rodar e muito agressivos e activos sobre a bola. Fecharam a área restritiva a sete chaves (ao intervalo, 4 em 15 e apenas 8 pts no garrafão para Miami) e na primeira parte fizeram os Heat parecer uns Pacers no ataque (apenas 33 pontos marcados, com 35% nos lançamentos)!

Foi um jogo quase perfeito da equipa de Gregg Popovich em ambos os lados do campo e mais uma exibição demolidora.
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Do lado dos Heat, voltámos a ter muito pouco de qualquer jogador não chamado LeBron.
Spoelstra sabe que não ganha aos Spurs assim e que precisa de mais produção dos outros jogadores. Por isso, começaram o jogo a tentar envolver outros jogadores no ataque. Foram para Bosh (aos 4:59 do 1º já tinha tantos lançamentos como em todo o jogo 3), para Chalmers, para Lewis, para Allen, mas, devido às boas rotações defensivas dos Spurs (aí começou a sua excelente defesa), sem grande sucesso. Nunca conseguiram ser constantes ou encontrar qualquer ritmo no ataque, a movimentação de bola só foi boa em alguns (raros) momentos e ficaram sempre pelas jogadas e esforços individuais.

E, para além de LeBron, ninguém conseguiu grande coisa nessas jogadas individuais. Chalmers e Cole continuaram a ser nulidades no ataque (Spoelstra foi ao fundo da rotação e meteu Toney Douglas, para vermos quão desesperado ele deve estar por alguma produção na posição), Wade teve o seu jogo mais fraco da série (10 pts, 3-13 em lançamentos) e Allen e Bosh só apareceram ocasionalmente.

LeBron James carregou a equipa numa (ténue) tentativa de recuperação no 3º e marcou 19 pontos no período. O resto da equipa? 2. LeBron no fim do 3º período? 28 pontos. Pontos de todos os outros Heat juntos? 29.


E se ofensivamente não tiveram grande coisa de ninguém não chamado LeBron, defensivamente não tiveram grande coisa de ninguém. Na defesa (que sempre foi uma das marcas e pontos fortes desta equipa) foram passivos, pouco agressivos sobre o portador da bola e lentos nas rotações.

Ontem, pareceram uma equipa exausta, sem energia e resignada. O desgaste físico e mental de quatro idas seguidas às Finais (e a falta de profundidade do plantel) parecem estar a pesar e os Heat não parecem ter nem frescura física nem mental para ganhar a estes Spurs. Ontem foi muito San Antonio para muito pouco Miami. A noite foi toda de San Antonio.


(e de Tim Duncan, que teve uma noite de duplo recorde e tornou-se o jogador com mais minutos jogados - 8870, ultrapassando os 8851 de Kareem Abdul-Jabbar - e com mais duplos-duplos - 158, ultrapassou os 157 de Magic Johnson - na história dos playoffs)

11.6.14

Heat x Spurs - jogo 3 - The Shots Game


Raramente os números contam a história toda. Na maioria das vezes, não basta olhar para a estatística de um jogo para perceber e explicar o que aconteceu e é preciso interpretar esses números e contextualizá-los. Mas há algumas raras ocasiões em que os números dizem tudo. Como estes da primeira parte de San Antonio no jogo de ontem:


71 pontos. 75,8% em lançamentos. 70% em triplos (7-10). 14 em 17 nos lances livres. O que dizer de uma exibição ofensiva destas? Foi uma primeira parte histórica. Desde 1987 que uma equipa não acabava a 1ª parte de um jogo das Finais com 70 ou mais pontos (e nos anos 80 marcavam-se mais pontos por jogo; consegui-lo nos dias de hoje, com defesas melhores e mais fechadas e jogos com menos pontos, é inacreditável!) e estabeleceram um novo recorde das Finais de percentagem de lançamento numa metade.

Olhando para estes números é fácil imaginar porque os Spurs ganharam. Porque é mesmo difícil perder a lançar assim. Os Heat nem sequer tiveram maus números nessa primeira parte. 50 pontos marcados, 56% nos lançamentos e 7 triplos marcados. E 21 pontos de desvantagem. É quão estratosféricos foram os números dos Spurs nesta metade.

É claro que um par de coisas ajudam a explicar o sucesso ofensivo dos Spurs:

Boris Diaw no cinco inicial
Com o francês, o espaçamento é melhor, o ataque é mais móvel, a movimentação de bola é mais fluida e, ao contrário dos dois jogos anteriores, os Spurs tiveram tudo isso desde o início do jogo.
Para além disso, o emparelhamento defensivo foi muito mais favorável e ter Diaw em vez de Splitter a defender Bosh permitiu aos Spurs trocar nos pick and rolls entre Bosh e James. Splitter não podia fazer essa troca e ficar a defender James. Diaw pode. O que eliminou Bosh no ataque (os Heat desistiram de fazer o pick and roll com ele e começaram a fazer com Chalmers)

Leonard (e Green) em modo de ataque desde o início
tínhamos dito na previsão da série que Leonard era um jogador fundamental nestas Finais e que os Spurs precisavam dele para desequilibrar esta série. Depois de dois jogos fraquinhos e limitado por faltas, o joker dos Spurs fez um jogo extraordinário (29 pts, melhor marcador do jogo e máximo de carreira) e foi decisivo dos dois lados do campo
Atacou o cesto desde o início, continuou a atacar ao longo de todo o jogo e não deu descanso a James desse lado do campo. O que o beneficiou também na defesa. A sua defesa a LeBron começou no ataque. E continuou no resto do campo. Desta vez conseguiu manter-se sem problemas de faltas, andou sempre colado a LeBron e dificultou-lhe muito os movimentos e lançamentos. 
Danny Green idem (7-8 em lançamentos, com 6-6 em lançamentos na área restritiva, e 5 roubos de bola).



E também é um facto que a defesa dos Heat não fez tudo o que podia nessa primeira parte. Tivemos a prova disso no 3º período, quando foram muito mais activos e agressivos, pressionaram muito mais o portador da bola, provocaram mais turnovers e conseguiram recuperar metade da desvantagem.

Mas a maior e incontornável razão é que os Spurs acertaram (quase) tudo o que atiraram ao cesto. Lançamentos sem oposição, lançamentos contestados, lançamentos exteriores, lançamentos debaixo do cesto, lances livres, naquela primeira parte tudo o que saía da mão de um jogador de San Antonio acabava dentro da rede. E contra isso, não há muito que se possa fazer. Porque nada bate "marcar lançamentos".

Muitas vezes, pode-se executar na perfeição uma jogada, fazer tudo bem e depois falhar o lançamento. Movimentar bem a bola e encontrar boas situações de lançamento é só uma parte da tarefa. A outra é concretizar essas situações e meter a bola no cesto. E ontem, os Spurs fizeram isso a um ritmo nunca visto numas Finais. E cavaram, nessa primeira parte, um fosso impossível de ultrapassar.


No 3º período, a equipa de Miami meteu outra mudança na defesa, mas não foi suficiente para recuperar de uma desvantagem tão grande. Os Spurs abanaram um bocadinho, mas aguentaram a tempestade, estabilizaram e, no último período, voltaram a ser eficientes e a aumentar a vantagem. E, adivinharam, marcaram mais lançamentos.

Raramente a resposta-tipo "they made shots" (que muitos jogadores e treinadores usam para explicar um jogo - ou para despachar um jornalista) explica o que se passou num jogo. Mas neste foi isso mesmo que os Spurs fizeram. They made shots like never before.