30.1.15

Triplo Duplo - Episódio 12 (2ª temporada)


No TRIPLO DUPLO desta semana:

- as nossas escolhas para os suplentes do All Star (01:56)
- a lesão de Kobe Bryant (40:11)
- as lesões de LaMarcus Aldridge, Kemba Walker e Brandon Jennings (e Kevin Durant) (51:35)
- e, como habitualmente, o Wow da Semana (01:12:53)


CONTRA-ATAQUE - Quem quer tocar no Larry - parte II


Na semana passada, o Ricardo Brito Reis falou-nos daquilo que cada uma das equipas candidatas no Este precisa para meter as mãos no troféu Larry O'Brien. No Contra-Ataque desta semana, a segunda parte dessa reflexão e o que cada uma das candidatas a Oeste precisa para levar o Larry para casa:


Quem quer tocar no Larry? – parte II

por Ricardo Brito Reis

Na sequência da crónica da semana passada, e conforme prometido, é tempo de olhar para o que falta às melhores equipas do Oeste para estarem mais perto de receber o troféu Larry O’Brien das mãos do comissário Adam Silver. E, se havia cinco candidatos no Este, a conferência Oeste tem, pelo menos, sete.

Golden State Warriors (36-7)
Nem os «Splash Brothers», nem a promoção de Draymond Green ao cinco inicial. A chave do sucesso dos Warriors é o poste Andrew Bogut. Sem ele, esta temporada, a formação de Oakland tem um registo de 9 vitórias e 5 derrotas. O australiano é uma autêntica âncora defensiva e a equipa ressente-se sempre da sua ausência, como provam os números. A equipa orientada por Steve Kerr sofre, em média, mais oito pontos por cada 100 posses de bola quando Bogut está de fora. Outro problema a resolver é o número de turnovers da equipa (6ª pior equipa da NBA, com 15.1 por jogo), embora isso resulte do estilo up-tempo dos Warriors, que acabam por obrigar os seus adversários a cometer, igualmente, um número elevado de perdas de bola sem lançamento.

Memphis Grizzlies (33-12)
O estilo «grit and grind» do conjunto de Memphis tem chegado para resolver os jogos na fase regular, mas, quando chegarmos aos playoffs e a velocidade abrandar, a falta de espaçamento no ataque pode ser um problema.O poste Marc Gasol está a fazer uma época que o coloca na luta pelo título de MVP, o base Mike Conley começa a receber o reconhecimento devido e a adição do extremo Jeff Green vem ajudar a colmatar a principal lacuna dos Grizzlies: o lançamento exterior. É que os Grizzlies são a 4ª equipa da liga norte-americana que menos triplos tenta por partida (média de 16.0).E é preciso mais. Talvez por isso se justifiquem os rumores que dão conta do interesse dos responsáveis da equipa em Chris Copeland, dos Indiana Pacers.

Portland Trailblazers (32-14)
O problema dos Trailblazers está no banco de suplentes. Ou melhor, não está! O treinador Terry Stotts tem um dos bancos mais fracos da NBA, sobretudo no meio-campo ofensivo, e isso será bem evidente nos playoffs, numa altura em que a intensidade defensiva aumenta e muito. Com um cinco inicial fortíssimo, alavancado num extremo/poste de eleição e num dos bases mais promissores da liga, os Blazers ficam expostos aos adversários quando Stotts começa a rotação. Para além que dependem em demasia do tiro exterior, uma vez que são a 2ª equipa da NBA que menos pontos marca no interior da área restrictiva. E como diz Charles Barkley: «If you live by the jumper, you die by the jumper».

Los Angeles Clippers (32-14)
O técnico Doc Rivers já assumiu que tem um grande desafio pela frente, que passa por dotar a sua equipa de uma mentalidade defensiva. O talento no meio-campo ofensivo dos Clippers é tanto, que o treinador afirma que, muitas vezes, sente que os atletas entram em campo apenas com o objectivo de marcar mais pontos do que a equipa adversária. E acrescenta que só defendem a sério quando querem. No dia de Natal, por exemplo, quiseram e arrasaram os Golden State Warriors. Actualmente, os Clippers ocupam o 14º lugar do rácio defensivo (pontos sofridos por cada 100 posses de bola do adversário), mas já estiveram bem perto do 20º lugar desse ranking esta época. Ou seja, bem pior. Ou seja, estão a defender melhor à medida que a época avança. Se, à entrada para o playoff, estiverem no top-10 (e se, entretanto, reforçarem a posição de small forward), temos candidato.

Houston Rockets (32-14)
James Harden defende (melhor). Josh Smith está a encontrar o seu papel na rotação da equipa. Dwight Howard está mais evoluído no ataque, sobretudo no reportório individual nas zonas próximas do cesto. À volta do poste, atiradores e mais atiradores. O plano é perfeito. Ou quase. Os comandados por Kevin McHale fazem uma média de 17.3 turnovers por partida – pior só os 76ers, com 18.6/jogo – e, como consequência, sofrem mais de 15 pontos por jogo, em situação de contra-ataque. Falta, portanto, um bom base para que os Rockets tenham hipóteses de ir longe nos playoffs. Jose Calderon e Pablo Prigioni, ambos dos New York Knicks, estão disponíveis para uma troca e qualquer um deles (sobretudo o argentino) encaixaria bem no sistema de McHale.

San Antonio Spurs (30-17)
Acabem em 1º, 2º ou no actual 7º lugar da Conferência Oeste, os Spurs serão sempre favoritos. Mas, tal como os L.A. Clippers, os actuais campeões têm que ultrapassar um bloqueio mental. Se na época passada tiveram que lidar com a frustação de perder as Finais de 2013, esta temporada têm que lidar com o oposto, ou seja, com a eventual falta de motivação, depois de umas Finais de 2014 em que jogaram o melhor basquetebol que o mundo da NBA viu nos anos mais recentes. Ainda assim, Gregg Popovich já demonstrou ter experiência suficiente para motivar as suas tropas. Mas, pela primeira vez, parece que a idade está mesmo a ter um impacto na saúde física dos veteraníssimos Spurs. E, mesmo abusando dos DNP, isso é algo que Pop não controla.

Dallas Mavericks (30-17)
Com 110.1 pontos por cada 100 posses de bola, os Mavericks só não lideram o ranking do rácio ofensivo porque há uma equipa chamada Los Angeles Clippers (111.0). E, tal como os Clippers, a defesa é a preocupação da equipa técnica liderada por Rick Carlisle, mesmo com a subida nos rankings defensivos depois da troca que trouxe Rajon Rondo de Boston. E, tal como os Clippers, os ressaltos são a outra lacuna do conjunto do Texas, mesmo que Rajon Rondo seja o melhor base ressaltador da NBA. Rondo trouxe muito aos Mavericks, mas o que os Mavs deram em troca – leia-se alguns dos melhores elementos da rotação da equipa - pode custar-lhes a longevidade nos playoffs. Cuban tem sempre uma carta na manga e diz-se que Jermaine O’Neal pode ser essa carta…

P.S.: Escrevi, há duas semanas, que não acredito que os Oklahoma City Thunder (23-23) atinjam os playoffs. Mas não sou o Nostradamus, pelo que admito que Durant, Westbrook e companhia lá cheguem. E, se chegarem, têm que ser considerados candidatos.

28.1.15

Os nossos restantes All Stars



Depois de revelados os eleitos pelo público para titulares do All Star Game, serão anunciados amanhã os escolhidos pelos treinadores para preencher o banco no jogo das estrelas. Por isso, tal como fizemos para os titulares, antes de saírem as escolhas oficiais, aí ficam as nossas (os treinadores têm de escolher três jogadores de frontcourt, dois de backcourt e dois wild cards, portanto, foram essas, naturalmente, as regras que seguimos):


ESTE

Titulares
John Wall
Kyle Lowry
LeBron James
Carmelo Anthony
Pau Gasol

Os nossos suplentes
Chris Bosh
Al Horford
Paul Millsap

Dwyane Wade
Jimmy Butler

Jeff Teague
Kyrie Irving

Wade e Bosh já estavam entre os nossos titulares, por isso, têm, naturalmente, lugar entre os nossos suplentes. Jimmy Butler era, até ao seu abrandamento recente, um candidato ao cinco inicial e tem também um lugar seguro neste banco. Depois, Horford, Teague e Millsap? Sim, os Hawks são a melhor equipa do Este, estão a jogar muito melhor que todas as outras e se os números não chegavam para algum deles ser titular (apesar dos Hawks serem a melhor equipa, o seu ponto mais forte está no colectivo e nenhum deles está, individualmente, com melhores números ou a fazer uma melhor época que os jogadores que escolhemos), é mais do que suficiente para marcarem presença neste banco (e um prémio mais que justo).

Depois, a última vaga. Esta foi a mais difícil. Nos Raptors, Wizards, Bucks e Nets não há nenhum candidato com argumentos suficientes (Brandon Knight está a fazer uma boa temporada, mas ainda está uns furos abaixo). Nos Bulls, Noah tem passado metade da época lesionado e está a fazer uma temporada bem abaixo da anterior e Derrick Rose só agora é que está a regressar ao seu nível. Nos Hornets, Al Jefferson está um furo ou dois abaixo do seu melhor e Kemba Walker, idem de Brandon Knight. Nos Heat, para além de Bosh e Wade, mais ninguém justifica a candidatura. Nos Pistons, Brandon Jennings (mesmo antes da lesão e quando contava para estas contas) só começou a jogar bem após a saída de Josh Smith. Greg Monroe e Andre Drummond foram os dois melhores Pistons desde o início da época e eram dois candidatos fortes a esta vaga.
Mas quem fica com ela é Kyrie Irving, que, apesar dos altos e baixos dos Cavs, está a fazer uma temporada ao seu nível e apesar de dividir o campo com LeBron está com uma média de pontos mais alta que no ano passado (21.3 este ano, 20.8 em 2013-14). E continua a ser um dos melhores bases deste lado dos Estados Unidos.



OESTE

Titulares
Stephen Curry
Kobe Bryant
Blake Griffin
Anthony Davis
Marc Gasol

Os nossos suplentes
Kevin Durant
LaMarcus Aldridge
DeMarcus Cousins

Russell Westbrook
James Harden

Damian Lillard
Klay Thompson 
Chris Paul

LaMarcus Aldridge e Russell Westbrook eram titulares para nós, por isso, claro que têm lugar neste banco. Tal como James Harden, que se podia perder para Westbrook na luta pela titularidade, é indiscutível no All Star. Kevin Durant, com apenas 21 jogos realizados esta temporada, ficou de fora do cinco, mas não pode ficar de fora do All Star. Apesar de ter menos jogos que outros candidatos, nos jogos que fez tem, como habitualmente, números e exibições de elite.

E DeMarcus Cousins não pode continuar a ser castigado por estar numa equipa com donos e dirigentes incompetentes. Os Kings tiveram um óptimo começo, Cousins estava a fazer uma excelente temporada e depois decidiram despedir o treinador. Desde aí a equipa voltou à mediocridade e Cousins voltou ao lugar familiar de fazer grandes números numa equipa que não está a lutar por nada. Mas se em anos anteriores, ele, tal como a equipa, tinha ainda de evoluir, este ano não merece pagar pelos erros dos outros. Se os Kings estivessem mais acima na classificação, seria indiscutível nesta lista. E com 24.2 pts, 12.6 res, 3.2 ast e 25.7 de PER não pode ficar de fora (é um de apenas três jogadores na liga com médias de 20-10)

Depois, devido à lesão de Kobe, temos uma vaga extra, o que nos facilita a vida. Assim, não somos obrigados a fazer uma escolha impossível entre Thompson, Lillard e Paul e podemos colocar os três.

(resta-nos pedir desculpas a Monta Ellis, Mike Conley, Dwight Howard, Tim Duncan e Ty Lawson, que tinham argumentos para serem considerados, mas perdem na comparação; Estão a fazer temporadas muito boas e se calhar noutro ano seriam escolhidos, só que os outros estão a jogar ainda melhor)

25.1.15

This is the end?



Interrogámo-nos se seria quando Kobe se lesionou no joelho e perdeu a temporada passada. Agora, depois de mais uma lesão que o vai fazer perder o resto da temporada, a interrogação volta a ser inevitável.

Nesse Dezembro de 2013, não nos quisemos precipitar porque acreditávamos que se havia alguém capaz de desafiar o fisicamente normal era Kobe. Aquela lesão no joelho podia ser apenas um azar, uma lesão daquelas que pode acontecer a qualquer jogador em qualquer altura da carreira. Mas, perguntámo-nos, também podia ser um sinal de que o corpo de Kobe estava a começar a dar de si.

E este ano mostrou-nos que está. Ao início, parecia que não, que Kobe tinha regressado aos 36 anos ainda capaz de jogar a um nível alto. A equipa era medíocre e ele regressou aos seus tempos de "lone gunman", a tentar fazer tudo sozinho como nos tempos de Smush Parker e Kwame Brown, mas isso é outra história. Kobe estava a jogar mais de 35 minutos por jogo, a lançar como se estivéssemos em 2006 e parecia desafiar a sua idade.

Só que ao fim de 27 jogos, Kobe mostrou que é humano e que o seu corpo já não aguenta esse ritmo durante 82 jogos. E aquilo que escrevemos naquele Dezembro parece, infelizmente, estar a confirmar-se:

"Há um limite para o que o corpo de um atleta aguenta e mesmo com os avanços na medicina desportiva, ainda ninguém consegue vencer o Tempo. Mesmo jogadores que conseguem estender a carreira até idades avançadas e que se mantiveram sem lesões graves até essas idades, chegam a uma altura em que as lesões começam a aparecer recorrentemente. Foi o que aconteceu por exemplo com Steve Nash, que parecia imortal até aos 38 anos (sempre a alto nível e sem nenhuma paragem prolongada) e que agora não se consegue manter saudável. Foi o que aconteceu a Jason Kidd que jogou a bom nível até aos 40 e depois caiu muito rapidamente. É o que parece estar a acontecer também a Kevin Garnett e Paul Pierce, que parece que envelheceram 6 anos em apenas um.

A verdade é quanto mais velho um jogador, mais peso tem mais um ano. A partir dos 30 e muitos (para uns pode ser aos 35, para outros aos 40), a degradação física é cada vez mais rápida."

Byron Scott já fez "mea culpa" e reconheceu que devia ter gerido melhor os minutos de Kobe. E é verdade que isso pode ter pesado e contribuído para esta lesão. Mas o facto incontornável é que o corpo de Bryant está a chegar ao seu limite. Nunca ninguém venceu o Tempo e Kobe Bryant não será o primeiro.

Será então este o fim? Será que vai terminar assim a carreira de um dos melhores jogadores de sempre? Acreditamos que não, simplesmente porque Kobe deve ser o jogador mais teimoso que já pisou um campo da NBA e é aí, dentro de campo, que vai querer terminar a carreira. Só por isso, deve fazer tudo para regressar e jogar no próximo ano.

Para já, pelo menos mantém o sentido de humor:


Acreditamos, portanto, que não foi a última vez que vimos Kobe Bryant num campo da NBA. Mas também acreditamos que nunca voltará a ser o mesmo. Se já não era antes, agora a próxima temporada será, quase de certeza, a temporada de despedida. Kobe regressará para pisar pela última vez os campos onde nos encantou (e exasperou, e deliciou, e irritou, e maravilhou) tantas vezes. E para nos despedirmos.

O período mais "on fire" de sempre


Sem mais palavras, deixamos aqui para a posteridade a noite histórica de Klay Thompson:


O jogador dos Warriors, para além de ter igualado o recorde de pontos desta temporada (os 52 de Mo Williams), entrou para a história da NBA como o jogador com mais pontos num período:



Foram 37 pontos, 13 em 13 em lançamentos de campo e 9 em 9 em triplos no período mais "on fire" de sempre:

A decisão de não o terem trocado por Kevin Love deve estar a parecer mais acertada que nunca, não é?

Leituras de Jogo


Domingo, dia de ficar no sofá a ver filmes e séries de enfiada a pôr a leitura em dia. Aí ficam as nossas sugestões para hoje:

- No Grantland, Jonathan Abrams pede para deixarmos de chamar subvalorizado a Mike Conley e recorda o percurso do base dos Grizzlies até à elite de bases da NBA. Uma óptima reportagem sobre um dos jogadores menos reconhecidos da liga.

- Será que os Lakers não cuidaram de Kobe como deviam? Será que podiam ter feito mais para evitar esta lesão? Baxter Holmes tenta responder as essas questões neste artigo para a ESPN.



22.1.15

CONTRA-ATAQUE - Quem quer tocar no Larry?


A presença do troféu Larry O'Brien em Portugal (hoje, na Sport TV) serve de mote ao Contra-Ataque do Ricardo Brito Reis desta semana:


Quem quer tocar no Larry?

por Ricardo Brito Reis

A iniciativa da SportTV de permitir que, esta quinta-feira, os adeptos portugueses da NBA possam tirar fotografias com o troféu Larry O’Brien serviu de mote para a crónica desta semana. Afinal, o que falta às melhores equipas da liga norte-americana para se tornarem verdadeiros candidatos a marcar presença nas Finais e poderem, elas também, ter a oportunidade de tocar no troféu de campeão? Será que estas equipas vão retocar os respectivos plantéis, através de trocas ou da contratação de free agents, por forma a eliminar os problemas que têm revelado nesta primeira metade da época? Esta semana, debruço-me sobre os cinco conjuntos do Este que se destacam dos demais e que, na minha opinião, são as únicas formações desta conferência com hipóteses de lutar pelo título.

Atlanta Hawks (35-8)
Há dias escrevi aqui sobre as razões do sucesso dos Hawks. Na altura, sublinhei também algumas das suas lacunas. A formação de Atlanta precisa de uma maior presença nas zonas interiores e, sobretudo, quando a luta é na tabela atacante. O treinador Mike Budenholzer privilegia uma boa transição defensiva a uma segunda oportunidade no ataque e, talvez por isso, os Hawks são a pior equipa da NBA no ranking dos ressaltos ofensivos (8.4) e nos pontos após ressalto ofensivo (10.5), para além de ocuparem a 23ª posição nos pontos marcados na área restrictiva (41.0). Como referi na crónica sobre os Hawks, este factor poderá ser importante nos playoffs, frente a equipas com atletas grandes nas áreas próximas do cesto.

Washington Wizards (29-14)
O que dizer de uma equipa que parece ter tudo, pelo menos no papel? Que é preciso melhorar a eficácia da linha de lance livre. Os Wizards são uma das equipas mais completas do Este, com um backcourt de excepção e jogadores interiores dominadores. É verdade que o número de perdas de bola preocupa – são a 12ª equipa da liga com mais turnovers, com 14.8/jogo -, mas este número vai baixar nos playoffs, quando tudo abranda e se joga mais em meio-campo. Mas, para serem candidatos ao que quer que seja, não podem lançar apenas 73.9% da linha de lance livre. E talvez precisem de mais um atirador para a rotação, pelo que não é de estranhar o alegado interesse em contratar Ray Allen e em voltar a juntá-lo ao seu amigo de longa data Paul Pierce.

Toronto Raptors (27-15)
Os canadianos são um daqueles casos de uma equipa cujo foco é ganhar jogos a marcar mais pontos do que os adversários. De facto, não são uma grande equipa defensiva e a ausência de um poste que proteja o cesto é evidente. O lituano Jonas Valanciunas não é um grande defensor e isso ajuda a explicar que os Raptors sejam a 20ª equipa da NBA no ranking do rácio defensivo (104.5 pontos sofridos por cada 100 posses de bola dos adversários), para além de que estão no top-10 das equipas que mais pontos permitem na área restrictiva (43.2) e no top-5 das formações que mais pontos permitem após ressalto ofensivo dos adversários (14.3). E, no ataque, não podem estar tão dependentes do base Kyle Lowry.

Chicago Bulls (27-16)
Tal como os Wizards, os Bulls têm todas as peças. Na teoria. Os comandados por Tom Thibodeau não têm maus registos em todas as áreas do jogo, mas também já não são a força defensiva que foram nos últimos anos. Nas épocas mais recentes, os Bulls têm estado no top-3 dos vários rankings defensivos e, este ano, estão a meio dessas tabelas. De facto, nota-se uma diminuição da intensidade defensiva dos jogadores de Chicago, o que os leva a ser a 3ª equipa da NBA que menos roubos de bola faz (6.2) e, consequentemente, uma das que menos pontos marca após turnovers dos adversários. No entanto, o factor mais importante para estes Bulls serem um verdadeiro candidato é a saúde das suas «estrelas», como Derrick Rose e Joakim Noah. Sem lesões, os Bulls podem sonhar.

Cleveland Cavaliers (23-20)
Os responsáveis dos Cavaliers identificaram bem cedo que os maiores problemas da equipa estavam no meio-campo defensivo. Os Cavs apresentam vários indicadores negativos, no que diz respeito ao desempenho defensivo da equipa, e as recentes chegadas de Iman Shumpert e Timofey Mozgov servem para colmatar essas fraquezas. O poste russo está a assentar que nem uma luva e Shumpert, quando recuperar da lesão no ombro, também deverá ser um upgrade à defesa do perímetro. Assim que o base entrar no cinco inicial, J.R. Smith regressa ao banco e, nessa altura, veremos se tudo bate certo ou se a rotação do técnico David Blatt ainda precisa de mais alguém.
  

Na próxima semana, farei o mesmo exercício no Oeste. Terei trabalho a dobrar, portanto.