25.11.14

BUUUZZZZzzzzzzzzzz...



Deve ser mais ou menos esse o som das expectativas a descer em Charlotte. Porque poucas equipas entraram nesta temporada com tantas expectativas e poucas têm tido desiludido tanto como os Hornets.

Depois de, apenas pela segunda vez na história da organização, terem terminado a época com um recorde positivo e ido aos playoffs, continuaram, na offseason, a reforçar e a construir a equipa. Contrataram Lance Stephenson e Marvin Williams e tiveram duas boas escolhas no draft. Para além disso, enterraram os Bobcats e recuperaram o nome "Hornets". E, com novo nome, novas cores, novo campo e novas caras na equipa, o buzz estava de volta à cidade e eram uma das equipas que esperávamos que desse um passo em frente em 2014-15

Mas ao fim de 15 jogos e um medíocre recorde de 4-11, a Buzz City está silenciosa e preocupada. O ataque, que se esperava que melhorasse com Stephenson, continua a ser tão sofrível como antes e continua a ser um dos piores da liga (em 2013-14, foram 24ºs, com 103.6 pts por cada 100 posses de bola e este ano ainda está pior, apenas 26ºs, com um rating ofensivo de 101.2 pts). E a defesa, que no ano passado era o seu ponto forte e uma das melhores da liga (5ª melhor, com um rating defensivo de 103.8), piorou e está também entre as piores (22ª, com 107.8 pontos sofridos por cada 100 posses de bola).

Josh McRoberts está a fazer mais falta do que se esperava. McBob era um elemento importante (um bom passador e atirador numa equipa que não tinha muitos nem de uns nem de outros), mas esperávamos que as entradas de Stephenson, Marvin Williams, PJ Hairston e Noah Vonleh mais do que compensassem a sua saída. 

Mas parece que não (ou até agora não). A movimentação de bola está pior e estão a atirar pior de três (35% em 2013-14, 32% este ano). Stephenson tem sido irregular, Marvin Williams mau, Kemba Walker ineficaz e o ataque continua a depender em demasia de Al Jefferson. E quando os atiradores que o rodeiam não acertam os lançamentos, o trabalho deste fica mais difícil. 

Na defesa, têm sentido (e como!) a ausência de Michael Kidd-Gilchrist. O jovem extremo é o melhor defensor da equipa e a defesa deverá melhorar quando ele regressar. Mas, independentemente disso, as rotações e as ajudas estão longe de estarem afinadas e também desse lado do campo têm bastante trabalho para fazer.

Também o desenvolvimento de Kemba Walker não tem sido o esperado/desejado. O jovem base continua pouco eficaz (apenas 38.3% em lançamentos de campo e 14.7 pontos em 13.7 lançamentos) e não evoluiu na condução da equipa.

Ainda é cedo e ainda resta muito tempo para darem a volta à temporada. Mas têm de melhorar muito. E é bom começarem a fazê-lo rapidamente. Senão BUUZZZZZzzzzzzzzzzzzzz...

24.11.14

Passatempo Planeta Basket Store - o prémio


Aí está o vencedor do nosso passatempo Planeta Basket Store, o Fernando Cardoso, com a sua camisola do Damian Lillard. Parabéns mais uma vez ao Fernando!


Obrigado a todos pelas participações e muito obrigado, mais uma vez, à nossa parceira de passatempo, a Planeta Basket Store.

23.11.14

De fininho, de fininho...


Muito se tem falado, por exemplo (e com justiça), da evolução de DeMarcus Cousins, da produção de Marc Gasol, da explosão de Klay Thompson e dos contributos destas e de outras estrelas no sucesso das suas respectivas equipas. Mas há outros jogadores menos mediáticos que, sem se dar tanto por isso, têm tido também um papel fundamental no sucesso das suas equipas e estão a fazer grandes temporadas. Destacamos aqui alguns desses jogadores que têm voado abaixo do radar, mas que estão a fazer as melhores temporadas das suas carreiras:


Courtney Lee
O lançamento exterior tem sido o calcanhar de Aquiles do ataque dos Grizzlies nas últimas temporadas.  No ano passado contrataram Mike Miller para melhorar esse departamento e este ano a contratação mais mediática para esse departamento foi Vince Carter. Mas o melhor da equipa nesse aspecto tem sido Lee.
Está com a melhor percentagem de lançamentos de campo (55.7%) e 3pt da carreira (uns inacreditáveis 61.3%!), com a melhor média de pontos da carreira (13.9) e ainda com máximos de sempre em ressaltos (3) e assistências (2.3).
O contributo do shooting guard tem sido fundamental para o excelente arranque dos Grizzlies. A equipa precisa de atiradores para abrir espaço para Gasol e Randolph no interior e Lee tem sido esse atirador.


Draymond Green
Entre as extraordinárias exibições ofensivas de Curry e Thompson, a defesa de Iguodala e Bogut e a evolução de Harrison Barnes, é fácil o bom início de temporada de Draymond Green passar despercebido. Mas o jovem extremo tem sido um dos melhores defesas da equipa, tem substituído com distinção o lesionado David Lee no cinco inicial e está a dar um contributo importante de ambos os lados do campo.
Em 11 jogos, vai com médias de 12.7 pts, 7.4 res, 3 ast, 39.6% 3pt e 54.4% 2pt. Os números são todos máximos de carreira e irão baixar quando Lee regressar (e Green voltar a sair do banco), mas está a ser uma peça importante no bom começo dos Warriors.


Darren Collison
Em Sacramento, a maior história da temporada tem sido a ascensão de DeMarcus Cousins. A outra tem sido o inesperado sucesso colectivo. E Collison é um dos maiores responsáveis por isso.
É o terceiro melhor marcador da equipa (15.9 pts), tem sido um bom condutor no ataque (7 ast/jogo) e é um dos responsáveis pela melhorada defesa da equipa.
tínhamos dito no Boletim de Avaliação dos Kings que os seus números podiam não ser tão vistosos como os de Thomas, mas que era um encaixe melhor e um jogador que lhes podia render mais no ataque e na defesa. E isso está a comprovar-se.
Foi provavelmente a contratação mais atacada da offseason e choveram críticas por terem substituído Isaiah Thomas por ele, mas Collison está a mostrar como essas críticas estavam erradas. 


Brandon Knight
Ninguém esperava que os jovens Bucks estivessem tão bem na classificação. E ninguém esperava que Brandon Knight fosse o maior responsável por isso. Mas se os Bucks estão neste momento em lugares de playoffs muito o devem ao seu base. 
Lidera a equipa em pontos e assistências e é ainda um dos melhores ressaltadores (o 4º melhor, apenas umas décimas atrás de Jabari Parker e Giannis Antetokounmpo - ambos com 5.6). Sem se dar por isso, tem evoluído em todas as épocas da carreira e este ano, mais uma vez, melhorou todos os números (18.1 pts, 6.4 ast, 5.3 res, 1.2 rb).
Knight é mais um exemplo que nos mostra como é preciso ter paciência com os jogadores jovens que chegam à liga e em particular com os que jogam nesta posição. A posição de base é das mais difíceis de aprender na NBA (e no basquetebol) e pode demorar várias temporadas até um jovem dominar as especificidades da posição (Mike Conley é outro exemplo disso; foi muito criticado no início da carreira e é hoje um dos mais sólidos e regulares bases da liga - e um dos mais subvalorizados).

Knight pode ser mais conhecido pelo nó que levou de Kyrie Irving no Rookie Challenge de 2013 e por ter estado do lado errado daquele brutal alley oop de DeAndre Jordan, mas está a dar o seu melhor para ser conhecido também pelo seu talento e pela sua produção.

22.11.14

Mais disto, se faz favor


No jogo da passada quinta feira com os Cavs, com 34 segundos para jogar, os Spurs ganhavam por um e tinham a posse de bola. Posse de bola, escusado será dizer, decisiva e que tinham de concretizar. Ora nessa situação, o que fazem as equipas da NBA 99% das vezes? Uma jogada de isolamento e 1x1 (a partir do topo do garrafão, normalmente). E o que fizeram os Spurs?

A princípio parecia que iam fazer isso mesmo, com Manu Ginobili a driblar no meio do campo, a gastar o tempo e, aparentemente, a esperar pelo fim dos 24 segundos para então penetrar:

Mas não fizeram isso. Tim Duncan subiu até ao topo do garrafão, Tony Parker abriu para fora da linha de três pontos e fizeram um "corte à UCLA". Ginobili passou a bola a Parker, passou pelo bloqueio de Duncan e cortou:


E agora parecia que iam para um 2x2. Ginobili continuava o corte, aclarava a seguir ao bloqueio e Duncan podia fazer um pick and roll lateral com Parker. Mas também não fizeram isso. 
Enquanto Ginobili cortava, Parker passou para Duncan na posição de poste alto...

e este passou imediatamente para Ginobili que estava na frente do seu defensor (Joe Harris, em parte por não estar à espera desse passe, em parte por ter defendido o corte e a primeira linha passe de Parker, perdeu a posição para esta segunda linha de passe) e o argentino recebeu a bola debaixo do cesto (com a movimentação do lado contrário - um bloqueio entre Diaw e Leonard - a manter os defensores dessa lado ocupados e o meio do campo livre):



(podem ver a jogada a partir do 1:53)

Primeiro parecia que iam para a jogada predilecta dos treinadores da NBA nos finais de períodos e de jogos, com um isolamento de Manu Ginobili, depois para a segunda predilecta, um pick and roll, e acabaram por fazer uma variação do "UCLA cut". Uma combinação simples, mas eficaz entre três jogadores que apanhou a defesa dos Cavs de surpresa e resultou na perfeição.

O que nos leva à pergunta: porque não fazem as equipas da NBA mais vezes isto? Porque não recorrem mais vezes a jogadas desenhadas e colectivas no final dos jogos? Se o fazem durante todo o jogo, porque recorrem sempre a jogadas individuais nestas situações?

Não estamos a dizer para deixarem de o fazer ou para nunca o fazerem. Porque é difícil parar um jogador talentoso no 1x1 e uma super-estrela super-talentosa numa jogada de isolamento pode ser muitas vezes a melhor chance que têm de ganhar o jogo. Mas não é sempre.
E, para além disso, se o fizerem sempre, torna-se previsível e menos eficaz. Como os Spurs demonstraram, variar é bom e traz bons resultados. Treinadores da NBA, mais disto no fim dos jogos, se faz favor.

20.11.14

CONTRA-ATAQUE - Um reforço de peso


Temos um reforço de peso para o SeteVinteCinco: Ricardo Brito Reis, um dos novos comentadores da NBA na Sport TV, vai assinar uma coluna semanal aqui no nosso/vosso blogue. 

Quem segue o SeteVinteCinco há mais tempo deve lembrar-se da coluna que tivemos durante a temporada de 2012-13, o CONTRA-ATAQUE (então escrita pelo Pedro Silva). Pois vamos recuperar essa coluna semanal, que irá agora ser assinada pelo Ricardo. O Ricardo é jornalista, treinador de basquetebol e um dos nomes que este ano entraram para os comentários da NBA na Sport TV (Ricardo, se me estiver a esquecer de alguma coisa, diz). 

A partir de hoje, às quintas abrimos o nosso espaço à sua opinião. E sem mais demoras, aí fica o seu primeiro CONTRA-ATAQUE:


Menos jogos JÁ!

por Ricardo Brito Reis

O que têm em comum Kevin Durant, Paul George, Steve Nash, Ricky Rubio, Russell Westbrook, David Lee, Jose Calderon, Patty Mills, George Hill e Terrence Jones? Todos eles, entre muitos outros nomes menos conhecidos, já falharam vários ou todos os jogos desta época devido a problemas de ordem física. O vírus das lesões voltou a atacar esta temporada - nalguns casos, até antes do arranque oficial da época - e este é um tema que tem estado, cada vez mais, na ordem do dia.

De há alguns anos a esta parte, temos assistido a outro fenómeno associado às maiores superestrelas da liga norte-americana, de seu nome DNP. O DNP é a sigla para a expressão Did Not Play e podemos encontrá-la nas fichas estatísticas dos jogos, de forma cada vez mais frequente, à frente dos nomes dos melhores jogadores, quando os treinadores pretendem fazer descansar este ou aquele atleta. Este ano, por exemplo, o técnico Gregg Popovich fez descansar Tim Duncan e Manu Ginobili ao quarto (!) jogo da temporada dos Spurs.

Que soluções para evitar tantas lesões? E que soluções para evitar tantos DNP com a justificação de fazer descansar atletas? Aos inúmeros apelos dos jogadores para que se faça alguma coisa no que à calendarização dos jogos diz respeito, a NBA tem enviado sinais contraditórios. Por um lado, testou um jogo de pré-época com períodos de 11 minutos (em vez dos habituais doze). Por outro, o comissário Adam Silver já veio falar da possibilidade de se criar um torneio a meio da temporada, por altura do All-Star Game, inspirado na fase eliminatória da Liga dos Campeões da UEFA.

Várias vozes dentro da NBA têm defendido que a melhor opção é pura e simplesmente cortar os jogos de pré-época do calendário, uma vez que as equipas utilizam essas partidas para experimentar e dar tempo a jogadores que, ao longo da época, serão de "fundo do banco". Assim, a temporada poderia começar logo após o Training Camp, haveria mais tempo de descanso entre jogos, treinar-se-ia mais vezes ao longo do ano e, em especial, evitar-se-iam os «back-to-back».

Na minha opinião, a solução é simples e também já foi levantada por alguns analistas: reduzir a temporada. Uma época de 66 jogos, à semelhança do que aconteceu aquando do «lock-out» de 2011/12, mas começando em Outubro (como se de uma época de 82 jogos se tratasse), é mais do que suficiente para determinar quais são as melhores oito equipas de cada Conferência e, sobretudo, daria a garantia de termos atletas sempre na melhor forma. Menos jogos, mas jogos melhores.

É claro que subtrair a receita de 16 jogos por equipa seria um rombo nas finanças dos «franchises» e da própria NBA, mas, se o objectivo é ter jogos melhores, a receita pode ser compensada com a renegociação dos direitos televisivos e com um aumento, não muito significativo, do preço dos bilhetes.

Uma coisa é certa: o jogo é dos jogadores e todos queremos ver os melhores, no seu melhor.

19.11.14

Dia de Kobe


O dia hoje é de Kobe Bryant. O jogador dos Lakers pode ser um dos jogadores mais polarizadores de sempre, mas ame-se ou odeie-se Kobe, é inegável que o que ele fez nestes (até agora) 19 anos de carreira vai ficar para sempre na história da NBA. E que o que ele fez esta noite é algo raríssimo e que somos afortunados por ter testemunhado ao vivo.


Tão raríssimo que esta é apenas a quarta vez que acontece nos 68 anos de história da liga. E Kobe foi o mais jovem a consegui-lo.

Ame-se ou odeie-se Kobe, o seu feito é incontornável e vai para os anais da história. E este dia é todo dele.

Por isso, no dia de Kobe, recordamos aqui alguns artigos e posts que fizemos sobre ele ao longo destes anos:

- uma viagem visual (agora já desatualizada) pelos seus pontos e pela sua carreira

- o documentário Kobe Doin' Work completo

- um artigo sobre a clutchness de Kobe

- e um momento raro em que Kobe não lançou e assistiu na última posse de bola


18.11.14