20.10.14

Boletim de Avaliação - Memphis Grizzlies


Continuando pela Southwest Division, depois da offseason animada e positiva dos Mavs e da offseason animada mas pouco positiva dos Rockets, vamos até Memphis, onde a animação foi assim-assim:



Boletim de Avaliação - Memphis Grizzlies

Saídas: Mike Miller, James Johnson, Ed Davis
Entradas: Vince Carter, Jordan Adams (25ª escolha no draft), Jarnell Stokes (35ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Mike Conley - Tony Allen - Tayshaun Prince - Zach Randolph - Marc Gasol
No Banco: Beno Udrih - Nick Calathes - Courtney Lee - Vince Carter - Quincy Pondexter - Jon Leuer - Kosta Koufos
Treinador: Dave Joerger

Balanço: Para começar, e antes sequer de arrancar a free agency, tiveram animação q.b. com o treinador (continuando a estranha relação dos treinadores desta equipa com os dirigentes). Deram-lhe autorização para entrevistar com os Wolves e parecia que não o queriam manter, para depois acabarem por renovar com ele por mais 4 anos. Depois dos rumores de que o queriam despedir durante a temporada, e apesar da renovação, esta novela não veio propriamente reforçar a ideia de que Joerger tem a confiança total dos dirigentes.

E tiveram animação assim-assim nas mudanças no plantel:

Tinham de decidir o que fazer com Zach Randolph. Aos 33 anos, o power forward aproxima-se da fase final da carreira e os Grizzlies tinha de decidir se apostavam neste núcleo mais uma(s) temporada(s) ou se tentavam ir noutra direcção.

Z-Bo ativou o último ano de opção e chegaram a acordo para prolongar o contrato por mais 2 anos (e uns aceitáveis 20 milhões). Aposta pela manutenção deste núcleo, portanto.

Depois, nos seus free agents: perderam Mike Miller, James Johnson e Ed Davis. E contrataram Vince Carter (12 milhões por 3 anos).

Ed Davis nunca entrou na rotação de forma consistente e não fazia parte dos planos; com o regresso de Pondexter da lesão, Johnson era dispensável; e queriam manter Miller, mas quando este decidiu-se por Cleveland, contrataram um óptimo substituto.

A contratação de Mike Miller no ano passado tinha sido boa, a de Vince Carter este ano idem, porque os Grizzlies precisam de jogadores desses, extremos e atiradores para melhorar o espaçamento e a versatilidade do ataque. É outro jogador que deve encaixar muito bem nesta equipa, um jogador para o perímetro e para ajudar a abrir as defesas e o garrafão para Gasol e Randolph.

Depois, renovaram ainda com Beno Udrih e, no draft, escolheram Jordan Adams (mais um atirador e um jogador que pode ser uma boa supresa nesta equipa).
Pelo meio, ainda deram uma hipótese a Michael Beasley e ofereceram-lhe um contrato não-garantido. Que, como sabemos, parece que não deu certo e não gostaram do que viram porque já o dispensaram entretanto.

Contas feitas, ficaram mais ou menos na mesma. O que não é mau. Já eram bons e vão continuar a sê-lo. E a continuidade é uma coisa boa. Apenas poderá não ser suficiente para aspirar ao topo.

Foi uma offseason tranquila, com a manutenção do núcleo de há várias épocas e uma boa contratação (e levam uma nota positiva por isso). Mas pode não chegar para quem quer subir na cadeia alimentar do Oeste e dar o passo que falta para chegar lá acima. Estão ali naquele patamar "quase" e é aí que devem continuar.

Nota: 10



(a seguir: Southwest Division - New Orleans Pelicans)


19.10.14

Boletim de Avaliação - Houston Rockets


Depois de mais um Verão animado para os Dallas Mavericks, continuamos pelo Texas para ver se o dos seus vizinhos e rivais de Houston também foi tão animado (e tão positivo):



Boletim de Avaliação - Houston Rockets

Saídas: Chandler Parsons, Jeremy Lin, Omer Asik, Omri Casspi, Jordan Hamilton
Entradas: Trevor Ariza, Jason Terry, Kostas Papanikolaou, Joey Dorsey, Ish Smith, Jeff Adrien, Clint Capela (25ª escolha no draft), Nick Johnson (42ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Patrick Beverley - James Harden - Trevor Ariza - Terrence Jones - Dwight Howard
No Banco: Ish Smith - Isaiah Canaan - Jason Terry - Kostas Papanikolaou - Francisco Garcia - Donatas Motiejunas - Joey Dorsey
Treinador: Kevin McHale

Balanço: Depois das duas últimas offseasons terem trazido duas estrelas (James Harden em 2012 e Dwight Howard em 2013), nesta Daryl Morey preparou-se para perseguir uma terceira. Libertaram o espaço salarial que precisavam para oferecer um contrato máximo e entraram no lote de candidatos  aos serviços de Carmelo Anthony e Chris Bosh.

No fim, Carmelo continuou em Nova Iorque e Bosh parece que esteve quase-quase a aceitar a oferta dos Rockets mas acabou por continuar em Miami. Eram um candidato ao título imediato com qualquer um deles, mas acabaram de mãos a abanar e a precisar de recompor a equipa.

Porque para arranjar esse espaço salarial, limparam uma boa parte do banco (a melhor parte do banco). Despacharam Jeremy Lin para os Lakers e Omer Asik para os Pelicans a troco de escolhas no draft (e jogadores marginais, que dispensaram).

Por Carmelo ou Bosh teria valido a pena perder esses dois. O risco era grande, mas a recompensa também. No fim, perderam-nos por nada. E não foram os únicos jogadores que perderam por nada.

Não ativaram o último ano de opção no contrato de Chandler Parsons (que lhe pagava apenas 960.000 dólares este ano, mas faria dele agente livre sem restrições no próximo ano) e preferiram torná-lo agente livre com restrições este ano. Tinham, assim, a opção de igualar qualquer oferta que ele recebesse e provavelmente não esperavam que alguém fizesse uma oferta tão alta que não o pudessem (ou quisessem) fazer. Só que os Mavs fizeram.

Daryl Morey queria ficar com Parsons, mas se igualasse a oferta dos Mavs ficavam sem espaço para outro contrato grande. Estariam comprometidos com Harden, Howard e Parsons para o longo prazo e esse seria o trio à volta do qual teriam de construir a equipa. Morey achou que Parsons não era a terceira peça para um candidato ao título e preferiu manter a flexibilidade para continuar a perseguir essa peça.

E assim, não igualaram a oferta dos Mavs e foram buscar o mais barato Trevor Ariza para ocupar esse lugar. É uma alternativa que tapa o buraco, mas perdem, obviamente a curto e a longo prazo. Ariza é um bom defensor e um lançador, mas não é nem tão jovem nem tão versátil nem tão talentoso como Parsons.

Acabaram depois a compor o banco com um veteraníssimo que já não tem muito para dar (Jason Terry), alguns jogadores de fundo de banco e dois jogadores que jogavam na Europa. Joey Dorsey (que já jogou na NBA e não vai resolver os problemas interiores do banco dos Rockets) e o grego Kostas Papanikolaou (que pode ser um jogador útil, mas que vai precisar de algum tempo para se adaptar e desenvolver).

Perderam o terceiro melhor jogador da equipa e os dois melhores suplentes. Perderam profundidade (e qualidade) a base e no jogo interior (as suas escolhas no draft, Clint Capela e Nick Johnson são apostas para essas duas áreas e poderão ajudar no futuro, mas não serão peças importantes para já).

Começaram a offseason com esperança de formarem um Big Three e acabaram com um Big Two com menos ajuda que no ano passado. É certo que mantém opções em aberto no futuro e Daryl Morey vai, com certeza, continuar a mexer e tentar melhorar a equipa. Mas, para já e para esta temporada, as coisas não correram bem e podem dar um trambolhão na hierarquia do Oeste.

Nota: 9


(a seguir: Southwest Division - Memphis Grizzlies)

18.10.14

Boletim de Avaliação - Dallas Mavericks


Metade já está. Avançando para a metade que falta, vamos até à Southwest Division e à primeira das três equipas do Texas:



Boletim de Avaliação - Dallas Mavericks

Saídas: Shawn Marion, Jose Calderon, Vince Carter, Samuel Dalembert, DeJuan Blair, Wayne Ellington, Shane Larkin
Entradas: Chandler Parsons, Tyson Chandler, Raymond Felton, Jameer Nelson, Al Farouq Aminu, Richard Jefferson, Greg Smith (Ivan Johnson, Charlie Villanueva, Doron Lamb)
Cinco Inicial: Devin Harris - Monta Ellis - Chandler Parsons - Dirk Nowitzki - Tyson Chandler
No Banco: Jameer Nelson - Raymond Felton - Jae Crowder - Al Farouq Aminu - Richard Jefferson - Brandan Wright - Greg Smith
Treinador: Rick Carlisle

Balanço: Os Verões em Dallas são sempre uma animação. E pelo terceiro ano consecutivo fizeram uma revolução na equipa. Desde o título de 2011, remodelaram profundamente o plantel em todas as offseasons que se seguiram. Nesse Verão de 2011, não renovaram com Tyson Chandler (que assinou pelos Knicks por 58 milhões por 4 anos) e optaram por manter flexibilidade para o futuro, na esperança de conseguir Deron Williams e Dwight Howard nas offseasons seguintes.

Não conseguiram nenhum destes e todos os anos têm mudado metade da equipa, sempre com contratos curtos e sempre para manter a flexibilidade para atacar a free agency.

Mas esta offseason atacaram antes. Começaram em Junho, com uma troca com os Knicks (Calderon, Dalembert, Larkin e duas 2ªs rondas por Tyson Chandler e Raymond Felton) e com o regresso do jogador que começou todas estas revoluções. Três anos depois fazem aquilo que se calhar deviam ter feito desde o início (ficar com ele) e recebem de volta o melhor defesa que já jogou ao lado de Nowitzki e os 14 milhões do último ano do seu contrato.

Desde 2011 que fazem contratos curtos e apostam na máxima flexibilidade possível para a free agency. Como consequência disso, e à semelhança dos anos anteriores, metade da equipa era free agent neste Verão e tinham muitas decisões para tomar.

Dirk Nowitzki, Vince Carter, Shawn Marion, Devin Harris, Bernard James eram todos jogadores livres. Renovaram com Nowitzki (por 8 milhões/ano, um preço muito abaixo do preço de mercado), Devin Harris e Bernard James.

E então atacaram na free agency. Ofereceram 45 milhões por 3 anos ao agente livre com restrições Chandler Parsons e contrataram-no depois dos Rockets não igualarem a oferta. 15 milhões por ano é demais por ele (que é agora o jogador mais bem pago da equipa), mas foi o preço para o roubar aos Rockets (e gastar dinheiro nunca foi propriamente uma preocupação de Mark Cuban). E a contratação de Parsons significou a saída de Shawn Marion.

Queriam manter Vince Carter, mas o veterano shooting guard recebeu uma proposta melhor dos Grizzlies (12 milhões por 3 anos) e isso significou também a sua saída.

DeJuan Blair foi enviado para os Wizards (recompensaram os seus serviços com um sign and trade e um contrato melhor em Washington) e foram buscar outros jogadores interiores para a rotação por contratos mínimos. E preencheram o banco com veteranos e jogadores complementares em contratos mínimos ou perto (Nelson, Aminu, Jefferson e Smith; Johnson e Villanueva, vamos ver se ficam no plantel).

Vince Carter é provavelmente a maior perda da equipa nesta offseason. Era um suplente importante, o sexto homem e o melhor marcador de pontos e criador de lançamentos da segunda unidade (e que também jogava bastante com a primeira unidade). Mas entre Nelson e Jefferson (e a evolução de Jae Crowder) podem compensar essa produção na segunda unidade.

Calderon é a outra perda relevante, mas também aqui têm opções para o substituir. Entre Harris, Felton e Nelson podem ter um bom rendimento. Nenhum dos três é um base de topo, mas juntando os três pode dar um e podem ter um bom base (e uma boa produção na posição) por comité.

Portanto, na posição de base, perdem capacidade de lançamento exterior (Calderon era o melhor nesse departamento), mas ganharam essa capacidade noutras posições (nomeadamente, na seguinte). Rejuvenesceram e ficaram melhores a small forward (com um extremo talentoso e versátil, muito mais jovem que Marion e muito melhor atirador). E ficaram muito melhores na posição de poste e na defesa interior. E o banco ficou mais profundo.

Deram a volta completa com o regresso de Tyson Chandler, regressam ao melhor poste que já emparelharam com Nowitzki e ao jogo interior que melhores resultados lhes deu. E esta é a equipa melhor equipada para lutar pelo topo da conferência desde aquela equipa de 2011.

Nota: 14


(a seguir: Southwest Division - Houston Rockets)


16.10.14

Boletim de Avaliação - Washington Wizards


Metade já está! Para terminar a avaliação da Southeast Division e da conferência Este, fazemos uma visita à capital dos Estados Unidos e a uma equipa que terminou a temporada passada em alta:



Boletim de Avaliação - Washington Wizards

Saídas: Trevor Ariza, Trevor Booker, Al Harrington, Chris Singleton
Entradas: Paul Pierce, Kris Humphries, DeJuan Blair
Cinco Inicial: John Wall - Bradley Beal - Paul Pierce - Nene - Marcin Gortat
No Banco: Andre Miller - Martell Webster - Otto Porter - Kris Humphries - Drew Gooden - DeJuan Blair - Kevin Seraphin
Treinador: Randy Wittman

Balanço: 2013-14 foi uma temporada muito bem sucedida para os Wizards. Terminaram acima dos 50% na temporada regular (44-38) e foram aos playoffs pela primeira vez desde 2008 e chegaram à segunda ronda pela primeira vez em 9 anos.

E, pela primeira vez desde há muito tempo, acabaram a temporada com optimismo em relação ao futuro. Com um backcourt para muitos e bons anos, com um frontcourt sólido e com uma boa mistura de jovens e veteranos, o futuro parecia risonho para esta equipa.

E que fizeram este Verão para continuar esse caminho? 
Primeiro, renovaram o contrato do comandante das tropas, Randy Wittman, por mais 3 anos.
Depois, tinham dois titulares que eram free agents e a prioridade era renovar com ambos.

Metade desse objectivo foi conseguido logo no início da free agency. Renovaram com Gortat e asseguram-no por vários anos (60 milhões por 5 anos). A outra metade não. 
Não chegaram a acordo com Trevor Ariza sobre os valores do contrato (os Wizards ofereceram-lhe 8 milhões por ano - um pequeno aumento em relação aos 7.7 que recebia -, Ariza pretendia algo entre os 9 e os 11 milhões) e este acabou por aceitar a proposta dos Rockets pelo mesmo valor, 32 milhões por 4 anos (magoado por não lhe darem mais em DC? ou porque no Texas não paga impostos e os 8 milhões valem mais lá?).

Só que, no mesmo dia e apenas 12 horas depois, não encontraram um mau substituto: Paul Pierce por cerca de metade (11 milhões por 2 anos). Pierce não é um jogador para o médio/longo prazo, mas pode dar-lhes uma ou duas boas temporadas. Nesta equipa ele não vai ser a principal arma ofensiva, mas antes um jogador complementar. E como jogador complementar, ficam muito bem servidos (encaixa perfeitamente no papel de atirador que Ariza tinha).

Perdem um pouco na defesa do perímetro, onde Pierce já não é tão rápido e Ariza era um dos melhores defensores da equipa (e um dos defensores mais sub-valorizados da liga), mas o que ganham no ataque e fora do campo pode compensar. No campo, Pierce por Ariza (e por metade do preço) não é um retrocesso e no balneário, a sua experiência e currículo vão ajudar muito e são um excelente acrescento a este grupo.

Pierce é um bom reforço para o imediato e mantém a flexibilidade da equipa para o futuro (e para o cenário de sonho de seduzir Durant, que é natural de Washington, na free agency de 2016. Uma nota sobre isso: este ano contrataram David Adkins para treinador adjunto. Quem é David Adkins? Foi treinador de liceu de... Kevin Durant)

Renovaram também com Gooden (um dos melhores suplentes no ano passado) e Seraphin e reforçaram mais o interior com Kris Humphries e DeJuan Blair.

Perderam Ariza, Harrington e Booker. Adicionaram Pierce, Humphries e Blair. O jogo interior ficou melhor e mais profundo e o exterior não ficou pior. No backcourt mantém-se tudo na mesma, mas aí não precisavam de mexer. Já era um dos melhores backcourts da liga e, com mais uma época de experiência para Wall e Beal, só pode melhorar. E Andre Miller vai continuar a fazer o seu jogo feio mas eficaz e a ser um suplente fundamental.

O futuro parecia risonho no fim da época passada e podem dar mais um passo em frente esta temporada. O futuro parece mais risonho do que alguma vez pareceu em Washington.

Nota: 13


(a seguir: Southwest Division - Dallas Mavericks)

15.10.14

Boletim de Avaliação - Orlando Magic


Estamos a chegar ao fim da Southeast e da conferência Este. Depois dos Hawks, dos Hornets e dos Heat, continuamos na Florida e vamos até à cidade dos parques temáticos ver qual foi o tema dos Magic nesta offseason:




Boletim de Avaliação - Orlando Magic

Saídas: Arron Afflalo, Jameer Nelson, Jason Maxiell, E'Twaun Moore, Doron Lamb, Ronnie Price
Entradas: Channing Frye, Ben Gordon, Luke Ridnour, Evan Fournier, Aaron Gordon (4ª escolha no draft), Elfrid Payton (10ª escolha no draft), Roy Devyn Marble (56ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Elfrid Payton - Victor Oladipo - Aaron Gordon - Channing Frye - Nikola Vucevic
No Banco: Luke Ridnour - Evan Fournier - Ben Gordon - Maurice Harkless - Andrew Nicholson - Tobias Harris - Kyle O'Quinn
Treinador: Jacque Vaughn

Balanço: E o tema foi... qual foi mesmo o tema da vossa offseason, Rob Hennigan? Continuaram a reconstruir pelo draft e a apostar no longo prazo ou tentaram reforçar-se na free agency para serem mais competitivos no presente? Ou fizeram um bocado dos dois?

Porque fizeram movimentações típicas de equipa em reconstrução total:
dispensaram e/ou trocaram veteranos e jogadores que não fazem parte dos planos a médio/longo prazo para dar espaço aos jovens e/ou acumular mais peças (escolhas no draft e mais miúdos). Desenvolver os jovens e limpar a folha salarial (para quando começarem a renovar e a negociar extensões dos seus contratos) parecia ser o tema do Verão dos Magic.

No draft, escolheram mais duas peças para juntar ao grupo de jovens a desenvolver. Elfrid Payton e Aaron Gordon são dois prováveis titulares, dois jogadores extremamente atléticos e bons defensores (Payton-Oladipo-Gordon pode ser um trio defensivo exterior muito bom). Mas não resolvem os problemas da equipa no ataque. Nem Payton nem Gordon são grandes atiradores e numa equipa que já tinha problemas ofensivos e ainda perdeu o melhor marcador, isso vai ser um problema. Mas isto é um projecto a vários anos, por isso vamos ver como estes dois melhoram desse lado do campo.

Dispensaram Jameer Nelson e depois trocaram Arron Afflalo. Ambos entram na lógica que falávamos ali em cima, de dispensar e/ou trocar veteranos. Nelson já está na fase descendente da carreira, não está nos planos a longo prazo e deixaram-no sair para ir acabar a carreira numa equipa com ambições imediatas.

Seguindo a mesma lógica, trocar Afflalo também faz sentido. O que não fez muito sentido foi trocá-lo por Evan Fournier. Um quase-All Star por um jovem que tem algum potencial, mas que será no máximo um bom shooting guard suplente? Não conseguiram melhor que isso? Parece-nos muito pouco em troca do melhor atacante e marcador da equipa.

E depois fizeram movimentações de equipa de mercado pequeno que se quer reforçar e ter melhores resultados no imediato e paga demasiado por free agents medianos:

No negócio mais surpreendente do Verão, contrataram Ben Gordon por uns inacreditáveis 9 milhões por 2 anos. 4,5 milhões por um jogador que fez 19 jogos no ano passado, que não devia ter nenhuma equipa interessada nele (nenhuma que lhe oferecesse perto disto não tinha de certeza!) e que vale, atualmente, praí um contrato mínimo?

Ok, menos mal porque é apenas por 2 anos e o segundo ano é opção da equipa. Por isso, não ficam comprometidos com ele e pode ter sido só para ajudar a atingir a folha salarial mínima (que é 56 milhões - 90% do salary cap - e os Magic ainda estão mais ou menos um milhão abaixo). E, pelo caminho, ainda pode dar uma ajudinha no ataque.

Contrataram também Channing Frye, por 32 milhões por 4 anos. Que com este contrato é o jogador mais bem pago e o maior contrato garantido da equipa. E este vai tirar algum espaço a Tobias Harris, Aaron Gordon e Kyle O'Quinn. Mas, ok, pode ser explicado pela experiência e porque todas as equipas jovens precisam de mentores e veteranos que incutam uma mentalidade vencedora nos jovens. Frye pode ser um bom líder no balneário e alguém para ensinar os miúdos.

Embora se levantem questões do tempo de jogo (porque Frye não veio para não jogar e, antes da lesão, deveria mesmo ser o power forward titular) e do valor e duração do contrato, não é uma má contratação.

Luke Ridnour por 2 anos e 5,5 milhões também é um bom negócio. Ridnour é um bom base suplente e mais um jogador para complementar e ajudar os jovens.

Os Sixers, por exemplo, optaram por desistir completamente do presente e por serem maus agora para serem bons mais tarde. Os Magic parecem ter-se fartado de perder tanto e optado por um meio termo.
Continuaram a aposta na reconstrução pelo draft e no desenvolvimento dos jovens, mas contrataram uns veteranos para não serem assim tão maus e ajudarem os jovens.

Um meio termo que teve algumas decisões menos compreensíveis (Afflalo e Ben Gordon). Mas do lado da adição de mais talento jovem foi mais uma offseason positiva. Por isso, a nota é positiva. Se tivessem conseguido algo mais por Afflalo e não tivessem pagado tanto por Gordon, podiam levar uma nota mais positiva. Assim ficamo-nos pela dúzia.

Nota: 12


(a seguir: Southeast Division - Washington Wizards)

13.10.14

Boletim de Avaliação - Miami Heat


Continuando com a avaliação da Southeast Division, depois dos Hawks e dos Hornets, chegamos a South Beach e à equipa que sofreu o maior soco no estômago desta offseason:



Boletim de Avaliação - Miami Heat

Saídas: LeBron James, Ray Allen, Shane Battier (retirado), Michael Beasley, Rashard Lewis, James Jones, Greg Oden
Entradas: Luol Deng, Danny Granger, Josh McRoberts, James Ennis, Shannon Brown, Shawne Williams, Shabazz Napier (24ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Mario Chalmers - Dwyane Wade - Luol Deng - Josh McRoberts - Chris Bosh
No Banco: Norris Cole - Shabazz Napier - Danny Granger - Udonis Haslem - Chris Andersen
Treinador: Erik Spoelstra

Balanço: Não devia haver uma alma em Miami que estivesse preparada para tal. Quando LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh optaram pela terminação antecipada dos seus contratos, todos pensaram que era para os renegociar e continuarem juntos em condições que permitissem à equipa reforçar-se. Até mesmo Wade e Bosh devem ter pensado isso. Mas LeBron tinha saudades de casa e sonhos de regressar e, para surpresa de todos, no início de Julho lançou a bomba que marcou este Verão: anunciou que ia voltar aos Cleveland Cavaliers.

A surpresa nem foi LeBron voltar a Cleveland (pois ele próprio já tinha dito que gostava de acabar lá a carreira), mas voltar já.

Os Heat, que entraram na offseason com sonhos de renovar o Big Three e até acrescentar-lhe um quarto nome, acabaram com o pesadelo de perder o seu melhor jogador e com a possibilidade real de toda a equipa ir por água abaixo.

E os Heat abanaram. Mas não ficaram KOs e reagiram.
Renovaram Wade por 31 milhões por 2 anos (este era garantido que ia continuar) e ofereceram 118 milhões por 5 anos de Chris Bosh. Foi um preço alto e pagaram mais do que queriam/deviam por Bosh, mas não podiam perdê-lo também e tiveram de o fazer (a menos que quisessem entrar em modo de reconstrução total).

Renovaram com Chris Andersen, Mario Chalmers e Udonis Haslem. E ainda antes da decisão de LeBron, já tinham acordado com Josh McRoberts e Danny Granger para completar o lote de role players (Granger, vamos ver o que ainda tem para dar; McRoberts é um jogador que encaixa bem no sistema de Spoelstra de jogadores interiores abertos e que lançam de fora).

E, para o lugar de LeBron, conseguiram um bom prémio de consolação com Luol Deng (trocaram de small forwards com os Cavs!). O anglo-senegalês era um dos melhores free agents disponíveis e o melhor small forward depois de LeBron e Carmelo. Deng foi All Star em 2012 e 2013, tem médias de  carreira de 16 pts, 6.4 res, 2.5 ast e 1 rb e é um jogador que contribui em todos os lados do campo. Conseguiram-no por um bom preço (20 milhões por 2 anos) e com ele, Wade e Bosh ficam com um trio mais do que capaz de competir no Este.

No draft, ficaram com Shabazz Napier porque LeBron gostava dele (já sabemos como isso resultou). As prestações de Chalmers e Cole nas Finais do ano passado foram miseráveis, por isso o base ex-UConn pode ter uma oportunidade de conquistar um lugar e entrar na rotação da equipa. Para já, parte atrás daqueles dois e é o terceiro base da equipa, mas num backcourt com pouca profundidade vai ter oportunidades para agarrar.

Fazendo as contas a tudo isto: não ficam, obviamente, com tão boa equipa como tinham (como não podia deixar de ser quando perdes o melhor jogador do mundo), mas não ficam tão mal como podiam ter ficado.

É um passo atrás? Claro. Mas é um que não esteve fora das suas mãos e do qual não tiveram culpa. E ao qual reagiram bem. Não vão ser a equipa a que estávamos habituados e não vão ser candidatos ao título, mas vão ser competitivos e continuar a ser uma das boas equipas do Este (de certeza nos playoffs e com possibilidades de ficar entre os primeiros quatro da conferência).

E conseguiram (re)montar uma boa equipa para o presente, sem perder a flexibilidade para o futuro. Daqui a dois anos, na offseason de 2016, apenas Bosh, Napier e McRoberts estarão sob contrato (e apenas Bosh com um contrato grande) e terão muito espaço salarial para usar.

Uma offseason em que perdes o melhor jogador do mundo não pode ter sido boa e é claro que não lhes podemos dar uma nota positiva, mas, pela forma como responderam a essa perda, também não lhes podemos dar uma nota negativa. Ficamos por uma intermédia, pode ser?

Nota: 9,5


(a seguir: Southeast Division - Orlando Magic)

12.10.14

Boletim de Avaliação - Charlotte Hornets


Seguindo pela Southeast Division, depois dos Atlanta Hawks, vamos até Charlotte, onde... the buzz is back in town:



Boletim de Avaliação - Charlotte Hornets

Saídas: BOBCATS, Josh McRoberts, Luke Ridnour, Anthony Tolliver, Chris Douglas-Roberts, Brendan Haywood
Entradas: HORNETS, Lance Stephenson, Marvin Williams, Brian Roberts, Jason Maxiell, Noah Vonleh (9ª escolha no draft), PJ Hairston (26ª escolha no draft)
Cinco Inicial: Kemba Walker - Lance Stephenson - Michael Kidd-Gilchrist - Marvin Williams - Al Jefferson  
No Banco: Brian Roberts - Gary Neal - PJ Hairston - Gerald Henderson - (Jeff Taylor) - Bismack Biyombo - Noah Vonleh - Cody Zeller
Treinador: Steve Clifford

Balanço: Os saudosos Hornets estão de volta a Charlotte (e à NBA). Depois de 10 anos como Bobcats (e depois dos Hornets originais terem mudado o nome para Pelicans), adquiriram os direitos do nome e regressaram à designação da primeira equipa que a cidade teve. Os Hornets estão de volta a onde pertencem e, depois de 10 anos para esquecer, a equipa de Michael Jordan pode começar a ter alguma coisa boa para recordar. 

Não começou da melhor maneira a free agency, no entanto. Perderam Josh McRoberts (que assinou com os Heat), um elemento importante da equipa do ano passado, um bom passador e bom atirador, numa equipa que não tinha muitos nem de uns nem de outros e que teve um dos piores ataques da liga.

Mas essa foi a única coisa que não lhes correu bem na offseason. E se essa é a pior parte da tua offseason esta não pode ter sido má. 

Começaram a free agency com cerca de 15 milhões de espaço salarial e, depois da contratação de Al Jefferson no ano passado, estavam apostados em conseguir mais um nome de peso.
Tentaram o agente livre com restrições Gordon Hayward e ofereceram-lhe um contrato máximo (60 milhões por 5 anos), mas os Jazz igualaram. O que, tendo em conta o que lhe iam pagar e quem conseguiram contratar a seguir, pode ter sido o melhor que aconteceu aos Hornets.

Porque a seguir conseguiram contratar Lance Stephenson pela módica quantia de 27 milhões por 3 anos. A perda dos Pacers (que não quiserem oferecer o contrato mais curto que Stephenson queria) foi o ganho dos Hornets. E que ganho. 9 milhões por anos por um jogador jovem ali no patamar de quase-All Star (e com bastante margem de progressão) é um bom negócio. Então se pensarmos que equipas como os Bobcats/Hornets são muitas vezes obrigadas a pagar mais para atrair free agents, conseguir um tão bom por esse preço é um excelente negócio.

Para mais, o contrato tem apenas com duas épocas garantidas e uma terceira de opção (da equipa), o que representa quase nenhum risco para os Hornets. Se Stephenson atinar e tiver a cabeça no lugar, pode ser um dos melhores jogadores da equipa (e um All Star). Se não atinar e a experiência não resultar, não estão comprometidos por muito tempo. De qualquer das formas, o (pouco) risco vale mais do que a pena.

Depois, para substituir McRoberts, contrataram Marvin Williams, que não é tão bom passador nem tão versátil, mas, como McRoberts, também lança bem de fora e pode jogar como 4 aberto.
E adicionaram também Brian Roberts, um bom base suplente (que foi titular em metade da época em New Orleans).

No draft, tiveram também sorte quando Cleveland ganhou a lotaria, porque isso significou que ficaram com a escolha dos Pistons (da troca de Ben Gordon em 2012; a escolha era protegida até à 8ª posição, por isso quando caiu para 9º, ficou para eles). E sacaram Noah Vonleh (que era projectado no top 5 em muitos mock drafts) com essa escolha. Um jogador para reforçar o necessitado jogo interior da equipa, que era curto e precisava de mais tamanho e talento, e um jogador também capaz de jogar de frente para o cesto e lançar de fora. Portanto, um jogador que pode ser um bom encaixe com Al Jefferson e que compensa também a saída de McRoberts.

Na outra escolha da primeira ronda, podem ter outro roubo no draft. PJ Hairston tem talento, tem potencial, é bom naquilo que os Hornets precisam. É mais um jogador exterior (um atirador para abrir o ataque e o interior para Al Jefferson) e mais talentoso do que a posição no draft indica. Só desceu tanto por problemas de disciplina. Pode ser um roubo e com mais opções no exterior, vale a pena o risco para os Hornets.

Os Hornets queriam atiradores e jogadores exteriores para melhorar os lançamentos de 3 (foram 23º no ano passado, com 35%) e para evitar os 2x1 que Al Jefferson sofre. Conseguiram dois "stretch 4" e dois shooting guards que podem lançar e penetrar.
O banco também não era famoso no ano passado e ficou melhor. Ficaram mais profundos e com duas/três opções em todas as posições.

Depois de uma década de Bobcats para esquecer, mudaram o nome e parecem estar a mudar o fado. Os Bobcats não vão ser recordados pelas melhores razões. Esta nova encarnação dos Hornets pode ser.

Nota: 14


(a seguir: Southeast Division - Miami Heat)